domingo, 4 de maio de 2014

Cicely Mary Barker ( 1895 - 1973 )



Ilustradora inglesa, nascida em Croydon, Surrey, ficou célebre pelas suas colecções de fadas e flores.
O seu primeiro livro é publicado em 1923, e tem por título " Flower Fairies of the Spring". Títulos similares serão publicados nas décadas seguintes, os quais terão por base as estações do ano,as árvores, os jardins,  os caminhos, o alfabeto das fadas, e muitos outros. Todos têm em comum a delicadeza do traço e a ternura que sobressai das expressões faciais.
Os seus trabalhos são maioritariamente executados em aguarela, mas não desprezava outras técnicas como o pastel, o óleo, ou o esboço puro e simples.
Em criança tinha predilecção pelas ilustrações de Kate Greenaway, e esta veio a ser uma das suas fontes de inspiração. Na minha modesta  opinião, Cicely Barker ultrapassa em muito a sua musa 
Esboços, desenhos, e pinturas de crianças foram por ela dadas aos amigos ou aos pais das crianças que muitas vezes lhe serviam de modelo. Como anglicana devota doava muitos dos seus trabalhos a instituições de caridade, ou para eventos patrocinados pela igreja .

                                     
                                     

Ilustrou livros, capas de revistas, sobre capas, séries de postais para a famigerada Raphael Tuck e outras editoras.
O seu trabalho tinha duas facetas distintas: religiosa e fantasia.  Em qualquer um dos casos, a sua extrema sensibilidade artística fez com que o seu nome fizesse parte integrante da lista dos grandes ilustradores e ilustradoras, que serão recordados pelas futuras gerações. 



























 

Feliz Dia da Mãe - Happy Mother's Day

Especialmente para as minhas leitoras que são mães, aqui fica uma pequena homenagem!
O tema musical é cantado por Carla Baptista Alves, e denomina-se Zawawa.







quinta-feira, 1 de maio de 2014

O 1º de Maio de 1974. (Memórias de uma menina que na época tinha 10 anos.)



                                                                   

Do 25 de Abril de 74 ao 1º de Maio foi um pulo de lobo!
Pela primeira vez em muitas décadas a população podia dar largas à sua ânsia de liberdade, e era de supor que esta data fosse assinalada de forma talvez ímpar na história deste País.
Tal como sucedeu em outras localidades, Alenquer não foi excepção.
Recordo-me perfeitamente, que foi depois de almoço que o povo saiu à rua. O largo do coração da terra pejou-se de gentes.
Os meus pais também acorreram à “chamada”, e por arrasto lá fui com eles, sem compreender muito bem o significado de todo aquele ajuntamento de pessoas, que pareciam brotar do chão, qual formigas saídas do formigueiro.
As palavras de ordem sucediam-se:
- “O povo unido, jamais será vencido!”, “O povo está com o MFA!”
E a marcha foi seguindo o seu rumo, percorrendo todas as ruas da vila, até que às tantas, comecei a sentir medo de toda aquela turba de gentes. Não conhecia ninguém, não percebia a razão de tanto grito e alarido. Dei a mão à minha mãe e apertei-a com quanta força tinha, temendo ser arrastada, e separada dela e do meu pai.
A páginas tantas consegui fazer-me ouvir, e perguntei à minha mãe:
- Mas para onde é que esta gente vai?
A minha mãe ao ver a minha expressão de medo tentou acalmar-me, mas parecia que quanto mais ela o fazia, mais medo eu sentia. Levava encontrão de um lado, berrava outro do outro, até que por fim soçobrei, e desatei num choro convulsivo, com todos os olhares a caírem sobre aquela menina que balbuciava entre soluços:
- Eu quero ir para casa!
Não houve nada que me demovesse, e a minha mãe teve de bater em retirada, e vir comigo de volta ao lar doce lar!
Quanto ao meu pai, esse andou por lá até que durou, e quando chegou a casa disse-me que eu já era crescida para fazer birras daquelas!
Aqui para nós, ainda hoje as grandes aglomerações me fazem confusão e, gostando eu tanto de flores, não consigo engraçar com cravos vermelhos, nem com a designada música de intervenção. Não é necessário ser psicólogo para perceber o porquê!
Quase em seguida entrar-se-ia no designado PREC e, o meu “martírio” acentuou-se…mas dessa época falarei num próximo post. Nessa época os sons emitidos pela rádio eram maioritariamente os que aqui vos deixo, e esta vossa amiga tinha que esperar pelo programa do Rádio Clube Português,"Quando o Telefone Toca" para ouvir Art Sullivan, de quem era fã incondicional, e com o qual aprendi imenso francês!








sexta-feira, 25 de abril de 2014

Adelaide Hiebel - 1886 - 1968




Adelaide Hiebel nasceu em New Hope , Wisconsin. Estudou no Instituto de Arte de Chicago com Zula Kenyon , e ensinou arte no Oshkosh College. Em 1916, Zula Kenyon recomenda-a para  trabalhar na Gerlach Barklow Co, empresa que se dedica ao comércio de calendários. Adelaide aceita, tendo-lhe sido dada a oportunidade de trabalhar no seu estúdio em casa . 
Calendários Gerlach Barklow eram comprados por empresas para oferecer a clientes importantes.
Que se saiba, Adelaide executou mais de 400 obras assinadas ou documentadas para a Gerlach - Barklow incluindo retratos do presidente da mesma , assim como o famoso pastel de Lois Delander de Joliet, Miss América 1927 ,  em traje de banho.
No entanto, de todos os trabalhos produzidos por Adelaide, apenas 50 se encontram actualmente documentados. A artista terá comprado muitos dos seus originais favoritos, tendo-os levado consigo quando se reformou em 1955. Após a sua morte, a família não conseguiu localizar a grande maioria desses trabalhos, os quais vão sendo descobertos pelos coleccionadores aqui e ali, que despendem fortunas para os arrematar em leilões.
A sua técnica preferida era o pastel , tendo ficado conhecida pelo detalhe fotográfico. Pintou primordialmente retratos de mulheres , e crianças  acompanhadas de animais.







                                    A Miss América











Neste mesmo dia, há quarenta anos atrás

Nesta data costuma perguntar-se:
- Aonde estavas no 25 de Abril?
Pois bem, há quarenta anos atrás tinha 10 anitos, e como acontecia com a grande maioria das crianças de então tinha escola de manhã e de tarde.
Naquela manhã, e tal como sucedia todos os dias, a minha mãe acordou-me, e enquanto eu me arranjava, ela preparava-me o pequeno – almoço.
Normalmente, a minha amiga e colega da 4ª classe Aura Sá vinha ter comigo, e seguíamos as duas para a escola.
Aquele dia não foi excepção, e pelas 8h e 40m a Aura tocou à campainha.
A partir desse momento os acontecimentos desenrolaram-se em catadupa, qual montanha russa…
A minha mãe abriu a porta e deparou-se com uma Aura perfeitamente alvoraçada que repetia incessantemente:
- D. Benilde há guerra em Lisboa!
-O que dizes Aurita? Ainda vens a dormir ou quê? (convenhamos que a Aura era uma menina deveras distraída…)
- É verdade D. Benilde, ligue o rádio! A minha mãe diz que é lá em Lisboa, é muito longe, e que temos de ir na mesma para a escola! Ligue o rádio!
Perante tal alarido, fez-se-lhe a vontade, e o dito “cantou” não os habituais fados, mas uma “cantilena” para mim sem sentido, em que alguém pedia para as pessoas permanecerem em suas casas.  
Ficámos meio atónitas, até que a minha mãe “desceu à Terra, e ditou a “sentença”:
- A tua mãe tem razão, aquilo é lá em Lisboa e vocês têm escola aqui, portanto é para lá que vão!
E fomos, mas contrariamente ao habitual, a nossa Professora, a D. Isaltina dos Anjos Cardoso, não havia ainda chegado. O facto era extremamente inusitado, pois a pontualidade era para ela coisa sagrada.
A rapaziada estava feliz da vida, já que, nenhuma das Professoras da 1ª  à 4ª classes se encontravam presentes.
O atraso fora de comum durou cerca de 45 minutos, e quando já nos perguntávamos se não deveríamos regressar às respectivas casas, eis que surgem todas as professoras em conjunto.
Hoje percebo que deviam estar reunidas, tentando decidir o que fazer; dar aulas normalmente, ou mandarem-nos embora. E foi justamente o que sucedeu, enviaram-nos para casa, decisão que me deixou perplexa. Com os meus 10 anitos, raciocinei que algo de muito extraordinário estaria a acontecer, que se sobrepunha às pessoas que, em meu entender, tinham mais autoridade.
Dali em diante, nada seria como dantes, e em breve eu estaria a desejar voltar a ouvir fados na rádio, (estilo musical que não apreciava) e já não conseguia suportar o tão badalado tema da “Gaivota”.
Naquele mesmo ano fiz o exame da 4ª Classe, e entrei para o então 1º ano do Ciclo Preparatório, aonde tive novos colegas, novos professores, e vivi todo o clima do PREC.
Mas essa é outra história.




Deixo-vos com uma foto da época, julgo que de 1975, tirada no terraço da casa da minha amiga Aura, em que estou eu (cabelo comprido e blusa às riscas), meus pais, a minha amiga de óculos , e a irmã dela quase bébé.

sábado, 19 de abril de 2014

Clara Miller Burd





Clara Miller Burd nasce na cidade de New York City em 1893

Frequentou a Escola Chase e National Academy of Design, em Nova York e a Courtois e Colarossi em Paris. Mais tarde, estudou pintura de retrato com Renardo, tendo recebido vários prémios por esses trabalhos. Estudou ainda design de vitrais nos estúdios de Tiffany. Em 1900 expõe na Academia Nacional de Design.
Para além da ilustração de livros infantis, postais, revistas, também desenhou inúmeros vitrais, incluindo uma janela memorial  para o presidente McKinley, em Ohio, e muitas janelas para igrejas, assim como as respectivas decorações de pinturas morais.
Normalmente as suas obras aparecem assinadas com C M Burd.