sábado, 2 de agosto de 2014

Raphael Tuck § Sons, postais de E. J. Andrews - Raphael Tuck § Sons, E. J. Andrews postcards


Encontrei estas belezas na Internet, mas não consigo saber nada acerca do seu autor, ou autora. Presumo que a sua nacionalidade fosse o Reino Unido, mas é apenas uma mera elacção.
Todos eles estão na base de dados da firma Raphael Tuck and Sons,e encontram-se datados de 1903, 1904 e 1907.














sexta-feira, 1 de agosto de 2014

100 anos da Primeira Guerra Mundial e a história de um familiar - 100 years of the WW I and a family story










Neste ano de 2014, altura em que passam 100 anos sobre o início da Primeira Guerra Mundial, relembro aqui o meu tio-bisavô Francisco Diogo, natural de Sardoal, Distrito de Santarém, o qual foi um dos muitos mobilizados para o Corpo Expedicionário Português.

O meu tio - bisavô Francisco Diogo, envergando a farda do exército. Foto tirada em França,sob formato postal, e enviada aos familiares a 21 de Junho de 1917.



Verso da foto/postal


Mediante descrição do livro de André Brun "A Malta das Trincheiras", este retrato postal ter-lhe-á custado um  franco. 
Terá recebido instrução militar em Tancos entre Abril e Junho de 1916. 
À data, de acordo com os relatos, Tancos transformou-se numa improvisada "Cidade de Tendas" e de algumas construções de madeira.
Ao tempo, não era muito comum que estes homens soubessem ler e escrever, e a própria instrução militar mostrou-se muito difícil, uma vez que 48% dos mobilizados eram analfabetos e apenas 0,6% tinha instrução secundária.  
Felizmente tal não aconteceu com este meu tio bisavô que, sabendo ler e escrever, sempre se correspondeu com a família. Dessa correspondência, chegaram às minhas mãos 6 postais (um deles em formato de foto pessoal) que retratam o pouco que a censura militar lhes permitia escreverem. As palavras neles escritas resumiam-se, apenas e só, aos beijos e saudades à família, e que eles estavam bem na companhia dos camaradas e amigos...
Ele foi dos que tiveram a sorte de regressar a Portugal. No entanto, a sua saúde ficou muito debilitada devido à inalação dos famigerados gases mostarda,ou fosgénio, que lhe deixaram muitas sequelas do foro respiratório. 

O uso dos gases venenosos na Primeira Guerra Mundial foi uma inovação. Estes podiam ser agentes de inabilitação, como o gás lacrimogéneo e o gás mostarda, ou agentes químicos letais como o fosgénio e o cloro.

O fosgénio é um gás incolor, altamente tóxico e, imagine-se, com um odor de feno cortado recentemente.
Devido ao facto de ser muito venenoso, foi utilizado na Primeira Guerra Mundial como meio de combate.
Em caso de inalação, aparecem cefaléia, conjuntivite, rinite, faringite, laringite, secura e insensibilidade nasal, hemorragia, edema de glote, edema laríngeo, pneumonite, bronquite. Pode ocorrer taquipnéia, sibilos, tosse, infiltrado pulmonar e síndrome disfuncional reactiva das vias aéreas.
Relativamente ao gás mostarda, em 6 a 24 horas após a exposição surge comichão e irritação intensa, e gradualmente vesículas na pele, contendo um líquido amarelo. Estas são queimaduras químicas, extremamente debilitantes.Os sintomas provenientes da intoxicação podem surgir após a contaminação, continuando a aparecer até 12 horas após a exposição. E como se não bastasse, a substância ainda pode permanecer activa por bastante tempo, por isso os soldados que tinham as suas roupas e equipamentos contaminados morriam envenenados. Se os olhos do indivíduo tiverem sido expostos ficariam afectados por conjuntivite que progredia para cegueira temporária. Se inalado em concentrações elevadas causa sangramento e formação de vesículas também nas vias respiratórias danificando a mucosa e causando edema  pulmonar.



Em Portugal, a ordem de mobilização parcial do exército português surge publicamente em cartazes afixados nas paredes das cidades. Segundo descrições da época,"... eram largas folhas brancas cortadas diagonalmente por uma faixa vermelha, onde se fixavam os detalhes da mobilização. Junto a estes formaram-se grupos compactos de homens e mulheres, e em alguns locais ouviam-se ler as ordens em voz alta...
De acordo com os relatos nos editais foram dados seis dias para que os homens se apresentassem nos centros de mobilização,aonde foram chegando em massa. Os quartéis de Lisboa tornaram-se exíguos para alojarem a todos, o que levou à utilização de outros edifícios públicos.Posteriormente, foram dispersos por locais nos arredores, conforme as armas, para praticarem instrução intensiva.
A notícia de que a Divisão Expedicionária ia deixar Lisboa para os locais de instrução foi dada com grande antecipação pelos jornais de então.


Lisboa começou a ver partir soldados, no entanto estes ainda não partiam para a guerra. O transporte começou em Dezembro. 
O cais de embarque era Santa Apolónia, e manhã muito cedo, os militares desfilavam entre os quartéis e a estação, onde comboios especiais os esperavam com as portinholas abertas e,  cada uma delas marcada a giz com a informação de quem as devia ocupar. 
A população juntava-se em aclamações de "Viva Portugal!, Viva o Exército! Viva a República!", e agitando lenços.


Foto tirada na Estação de Brest. é de reparar a existência de indicações a giz nas portas (portilholas) das carruagens.

Dois pequenos filmes de época, encontrados nos inúmeros milhares disponibilizados pela British Pathé.

                                                           



Mais alguns postais escritos pelo meu tio-bisavô Francisco Diogo.





Infelizmente, este meu tio-bisavô morre muito cedo. O pouco que dele sei resume-se quase exclusivamente à sua passagem pela 1ª Guerra Mundial (CEP) e a estes postais.
 Através de uma pesquisa online no Arquivo Histórico Militar consegui obter o seu Boletim Individual do Corpo Expedicionário, o qual me forneceu mais alguns elementos bastante interessantes, que deixam antever um pouco da sua personalidade, como sendo alguém que não baixava a cabeça com facilidade, nem dizia Ámen a tudo.
O mais relevante destes, tem a ver com sua prisão disciplinar pelo período de 15 dias, e que se ficou a dever a « ... comentar a forma porque um oficial havia marcado as tarefas do trabalho de arrasamento de trincheiras e por se permitir ir verificá-las contando os passos de cada uma..."




Duas fotos do Arquivo Histórico Militar, em que se vêem as tendas do acampamento do CEP.



 O resto da história é triste, já que, logo após o seu regresso a Portugal decide casar-se e aluga uma quinta em Lisboa ( ignoro o local exacto)para onde vai morar. Através dos relatos familiares sei que a sua saúde necessitava de cuidados acrescidos. A mulher acabou por traí-lo, e todo esse conjunto de situações levou-o ao desespero e ao suicídio por enforcamento.
Desgosta-me imenso o facto, pois tendo passado por tanta vicissitude na guerra, ter sobrevivido, vir a pôr termo à vida quando já estava em segurança, e em parte (presumo eu) por causa de uma mulher que lhe foi infiel, é quase como aquela expressão "Morrer na praia".Curiosamente (ou não), nunca me foi mencionado o nome da mulher,nem a sua naturalidade. 
Desconheço em absoluto em que zona da cidade de Lisboa foi enterrado. Presumo que tenha morrido na década de 20 do séc XX.
Não deixou descendência. Tinha seis irmãos, quatro raparigas Rita, Laura, Carlota e Jacinta (minha bisavó paterna) e dois rapazes - David e Manuel
Devo à minha avó paterna Maria (avó Babia, era assim que eu em pequenina dizia o seu nome), e bisavó paterna Jacinta (irmã do mobilizado) todos estes pequenos, mas agora grandes pormenores acerca do seu tio e irmão! Foi graças aos seus relatos, feitos a mim e ao meu pai, que toda esta história chegou até à actualidade!









Fontes:
  • Arquivo Histórico Militar
  • Vídeos Youtube - colecção British Pathé
  • Hemeroteca de Lisboa
  • http://www.portugal1914.org/
  • http://www.fmsoares.pt/
  • Postais da colecção particular

terça-feira, 29 de julho de 2014

René Cloke e o seu mundo de fantasia ( 1904 - 1995) - René Cloke and her fantasy world (1904 - 1995)




René cloke, cujo verdadeiro nome era Irene Mabel Neighbour Cloke, nasce em Plymouth, Inglaterra, 1904, e morre em  1995. Foi uma conceituada  ilustradora infantil de livros e postais.
René Cloke captou a minha atenção enquanto pesquisava os artistas filiados à Medici Society da Grã-Bretanha, uma empresa de publicações artísticas que começou  a sua actividade em Londres no ano de 1908.Foi assim que dela tomei conhecimento e apaixonei-me pelos seus trabalhos. 
Embora amplamente conhecida pelas suas representações de fadas, duendes e elfos, ela também pintou muitos ilustrações de animais antropomórficos em postais, anuários e livros, alguns dos quais da sua própria autoria.

René cloke (born Irene Mabel Neighbour Cloke, born in Plymouth, England, on 1904; and died 1995) was a well known children's book and postcard illustrator 
Rene Cloke first came to my attention when I was researching the artists affiliated with Great Britain’s Medici Society, an art publishing company started in London in 1908. Although widely known for her depictions of fairies, sprites, pixies, and elves, she also painted many illustrations of dressed or anthropomorphic animals for greeting cards, postcards, annuals, and books, some of which she herself authored.




Biografia

Filha de um gerente bancário, ela era uma criança tímida que passava horas a fio a desenhar.
Após ter concluído os estudos, o seu primeiro emprego foi justamente na ilustração de uma série educacional, " The Radiant Way", para os editores de Edimburgo, W & R Chambers, uma empresa que teve um papel importante na literatura, pois durante os séculos XIX e XX levou até à classe média livros de qualidade a baixos preços. 
Enquanto ilustradora de postais para a Sociedade Medici que acima mencionei, ela pode também ser associada a outra empresa de impressão escocesa, a James Valentine & Sons cujo foco principal eram os postais litográficos. 
  Além dos postais, Cloke foi uma profícua ilustradora de livros infantis. Ela ilustrou inúmeras histórias de Enid Blyton - uma das mais bem sucedidas contadoras britânicas de histórias infantis no século XX - incluindo-se aqui títulos como Naughty Amelia Jane, The Three Golliwogs, as series Mr. Meddle and Mr. Pink-Whistle, the Everyday Book.. Entre os contos mais conhecidos por ela ilustrados estão Lewis Carroll's Alice in Wonderland, Kenneth Grahame's The Wind in the Willows, Grimms' Fairy TalesHans Andersen Fairy Tales, Little Women by Louisa May Alcott, Brer Rabbit Stories by Joel Chandler Harris, várias histórias bíblicas, e muitos mais. Foi autora e ilustradora de muitos livros incluindo Woodland Stories, Before We Go to Bed, Rene Cloke's Bedtime Book of Fairytales and Rhymes, ABC and Counting Book, My First Picture Book, e ainda dos famosos e bem conhecidos clássicos como Cinderella , Little Red Riding Hood, Jack and the Beanstalk, Puss in Boots, e outros. 
Além disso, ela continuou a produzir ilustrações para muitas publicações anuais, incluindo Uncle Oojah Big AnualTiny Tots Annual, Jack and Jill Annual, Playhour Annual, and Harold Hare Book.  
Como curiosidade, acrescento que, durante a Segunda Guerra Mundial, Cloke trabalhou para o British War Office como desenhadora, na produção de mapas a partir de fotografias para uso da Royal Air Force. Após a guerra, retomou sua carreira escrevendo livros, fazendo ilustração infantil e postais. No final dos anos 50, muda-se para Londres, residindo em 31 de Bernard Gardens, Wimbledon SW19. Continuou a trabalhar até apenas quatro meses antes de sua morte em 1 de Outubro de 1995, aos 91 anos.



Biography

The daughter of a bank manager, she was a shy child who passed many hours sketching. Her first employment after graduating was illustrating an educational series, The Radiant Way, for the Edinburgh publishers, W & R Chambers, a firm that played a leading role in pioneering inexpensive but quality literature for middle and working class readers during the 19th and 20th centuries. 
While illustrating cards for the above-mentioned Medici Society, she was also associated with another Scottish printing company, James Valentine & Sons (variously, The Valentine Company), whose primary focus was lithographic postcards.
 In addition to greeting cards and postcards, Cloke was an extremely prolific book illustrator. She illustrated many books by Enid Blyton - one of the most successful British children's storytellers of the twentieth century -  including Naughty Amelia Jane, The Three Golliwogs,the Mr. Meddle and Mr. Pink-Whistle series, and the Everyday Book series. Among the better known tales she illustrated were Lewis Carroll's Alice in Wonderland, Kenneth Grahame's The Wind in the Willows, Grimms' Fairy TalesHans Andersen Fairy Tales, Little Women by Louisa May Alcott, Brer Rabbit Stories by Joel Chandler Harris, several Bible stories, and many more. She herself authored and illustrated numerous books including Woodland Stories, Before We Go to Bed, Rene Cloke's Bedtime Book of Fairytales and Rhymes, ABC and Counting Book, My First Picture Book series, and retellings of well-known tales such as Cinderella , Little Red Riding Hood, Jack and the Beanstalk, Puss in Boots, and others. In addition, she continued to produce illustrations for the many annual publications, including Uncle Oojah's Big Annual, Blackie's Children's Annual, Tiny Tots Annual, Jack and Jill Annual, Playhour Annual, and Harold Hare Book. 
During World War II, Cloke worked for the British War Office as a tracer, producing maps from photographs for use by the Royal Air Force. After the war, she resumed her career in writing children's books and card and book illustration. In the late 50’s, she moved to London, residing at 31 Bernard Gardens, Wimbledon SW19. She continued to work until just four months before her death on October 1, 1995, at age 91.